2 de ago de 2011

Pesquisa sobre o conhecimento das mulheres sobre O QUE É EJACULAÇÃO PRECOCE


Avaliação do conhecimento sobre Ejaculação Precoce em amostra de mulheres de Porto Alegre

1.- Resumo da pesquisa:

Objetivo: O presente estudo propõe-se a avaliar o conhecimento específico sobre ejaculação precoce (EP) baseado na última definição proposta pela International Society for Sexual Medicine (ISSM) em uma amostra de mulheres de Porto Alegre.Método: Foram entrevistadas 405 mulheres com idades entre 18 e 70 anos em clínicas privadas da área da saúde e universidades. As participantes foram avaliadas através de questionário estruturado e autoaplicável. Este era composto por 4  perguntas com escores de 0 (desconhece absolutamente) a 4 (conhece absolutamente) cada uma.    Resultados: A idade média das mulheres foi 33,8 anos. Com relação a parceiros afetivos e sexuais, 63,48% tinha parceiros fixos e 20% revelou não ter vida sexual ativa naquela época. Para facilitar o entendimento, os dados analisados foram transformados em escala de zero a dez, como se fosse uma prova de conhecimentos valendo 10 pontos, sendo a média 7. A nota média do grupo entrevistado foi 6,7 (±1,6). Mais da metade das mulheres (60,2%) obteve nota inferior a 7, apesar de 75,8% das mulheres terem nível de escolaridade superior, somente 39,8% conseguiu atingir a média. Conclusões: O grande percentual de mulheres que desconhecem a atual definição sobre EP foi surpreendente (60%), visto que a maioria delas tinha nível de escolaridade superior, e que destas esperava-se maior esclarecimento e acesso às informações. Estudos futuros com parceira de ejaculadores precoces devem ser feitos para saber se esta população também desconhece o tema.

2.-  Artigo

A ejaculação precoce (EP) tem estado entre as disfunções sexuais mais prevalentes entre os homens com taxas  entre 10 e 30%. Atinge homens de todas as idades e, ao contrário da disfunção erétil, a EP na grande maioria das vezes não esta associada a condições orgânicas gerais. Estudos apontam que as dificuldades sexuais masculinas geralmente estão relacionadas as de suas parceiras podendo, inclusive, serem provocadas por estas. Tem sido freqüente a queixa de EP por parte das mulheres nos consultórios privados, entretanto, não sabemos se estas conhecem o conceito desta disfunção. Por esta razão, o presente estudo propõe-se a avaliar o conhecimento específico sobre EP em uma amostra de mulheres de Porto Alegre, baseado na última definição proposta pela International Society for Sexual Medicine (ISSM).

 Foram entrevistadas 405 mulheres com idades entre 18 e 70 anos em clínicas privadas da área da saúde e universidades. As participantes foram avaliadas através de questionário estruturado e auto-aplicável. Este era composto por quatro perguntas com escores de zero (desconhece absolutamente) a quatro (conhece absolutamente) cada uma. A idade média das mulheres foi 33,8 anos, sendo que 75,8% tinham ensino superior, 18,3% ensino médio e 5,9% ensino fundamental. Com relação a parceiros afetivos e sexuais, 33,8% era casada ou morava junto com companheiro, 29,6% tinha namorado fixo, 16,5% era solteira com parceiros eventuais e 20% revelaram não ter vida sexual ativa no momento. Com relação a parceiros afetivos e sexuais, 63,48% tinham parceiros fixos e 20% revelou não ter vida sexual ativa no momento. Para facilitar o entendimento, os dados analisados foram transformados em escala de zero a dez, como se fosse uma prova de conhecimentos valendo 10 pontos, sendo a média 07. A nota média do grupo entrevistado foi 6,7 (±1,6). Mais da metade das mulheres (60,2%) obtiveram nota inferior a sete, apesar de 75,8% das mulheres terem nível de escolaridade superior, somente 39,8% conseguiu atingir a média. Foi encontrada diferença estatisticamente significativa entre o conhecimento das mulheres com ensino superior, ensino médio e fundamental. As mulheres com 3º grau obtiveram nota superior (6,9), às com ensino médio (6,3) e fundamental (5,5).  Não houve diferença significativa entre o conhecimento das mulheres que trabalhavam fora e as que não trabalhavam, bem como a idade não estiveram associadas ao conhecimento sobre EP.  O grande percentual de mulheres que desconhecem a atual definição sobre ejaculação precoce foi surpreendente (60%), visto que a maioria delas tinha nível de escolaridade superior, das quais se esperava maior esclarecimento e acesso às informações. Estudos futuros com parceira de ejaculadores precoces devem ser feitos para saber se esta população também desconhece o tema. Esses achados indicam que as mulheres podem estar considerando ejaculadores precoces homens que não apresentam realmente este problema. 

Lúcia Pesca
Psicóloga, Terapeuta Sexual e Coordenadora do Comitê de Sexualidade da Soc. Psicologia do RS
Comite de Sexualidade da Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul, Brasil
Pesca, L; Niederauer, K; Alves, A; Bortolin, M; Bronzatti, G; Hornos, L; Krug, R; Oliveira, B; Rodrigues, R